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Houve quem pintasse o perfil de cro de rosa e chorasse a morte da Leonor nas redes socias, e houve quem não o fizesse. Houve quem comentasse que lhe causava estranhesa tanta dor por uma vida que não se conhecia, por alguèm com quem não privava, quando tantas outras se perdem diariamente. E houve quem perante essa estranheza os tenha chamado de indignados, os tenha acusado de falta de compaixão, tenha catalogado esta estranheza como necessidade de ser cool não embarcando em movimentos populares.

 

Fazendo eu parte da minoria que não pintou o perfil de cor de rosa nem chorou a morte da Leonor nas redes sociais queria apenas dizer que o que muita gente não percebeu ou não quis perceber é que não é uma questão de indignados como lhes chamaram, ou de falta de compaixão ou querer ser cool, a questão é que todos os dias, infelizmente, morrem crianças vitimas desta e de outras doenças, algumas mais próximas de cada um de nós do que a Leonor, mas dessas ninguém fala, ninguém sabe, por essas ninguém chora. E espantem-se também essas são guerreiras, corajosas, príncipes e princesas.

 

Não quero, nem nunca o faria, menosprezar os sentimentos de ninguém. Mas não consigo ficar mais triste pela Leonor do que por qualquer outra criança anónima que morre diariamente. E sim, acho que nestas coisas das correntes solidárias há muita gente que vá no comboio, que tenha posto a foto de perfil a cor de rosa só porque os outros também o fizeram, porque assim também faziam parte e eram cool, quando provavelmente nem seguiam a história da Leonor.

 

Querem chorar, chorem, mas chorem também por todos aqueles que travam esta batalha diariamente e que diariamente a perdem.

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publicado às 16:04


2 comentários

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De Mirone a 10.09.2014 às 14:49

Não pintei o perfil de cor-de-rosa, não fiz gosto nas correntes de solidariedade, não partilhei textos sentidos sobre a coragem da Leonor, sobre a profunda dor dos pais. não lancei balões, não vesti uma peça rosa.
Nada disso traduz a minha indiferença ou desprezo pela luta dos doentes oncológicos, por quem sofre com a perda de um filho, um familiar ou amigo.
Por questões de saúde da minha filha passei um mês internada no Pediátrico de Coimbra e continuo a ir lá com frequência. Pude acompanhar vários meninos doentes. Uns recuperaram, outros não. Não me vesti de outra cor, não publiquei textos sentidos, mas senti tanta coisa, oh se senti. Mas o que terão sentido os meninos e os seus pais nunca saberei, nem se um dia - lagarto, lagarto, lagarto - algum dos meus estiver no lugar da Leonor. Chorei nuns casos, alegrei-me noutros, uns dias falei com os pais, noutros remeti-me ao silêncio. Fiz o que o meu coração e a minha sensibilidade me pediam em cada momento.
A história da Leonor, que acompanhei nas redes sociais, merece-me o mesmo respeito e atitude que tive com os outros meninos (os que conheço e os que não conheço). Acredito que a dor seja grande demais para ter sequer a ousadia de dizer que percebo a dor dos pais ou dos doentes oncológicos ou escrever algo que lhes faça justiça. Não condeno quem se manifesta, os que sentem, os que não sentem mas têm o 'gosto' à distância de um click, quem sofre pela Leonor mas se esquece dos outros, quem se lembra dos outros mas nem sonha quem é a Leonor.
O respeito que tenho por todos os que são arrastados pela doença é tanto que prefiro guardar as minhas emoções para mim. O meu coração e a minha sensibilidade pedem-me recolhimento.
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De Alexandra a 09.10.2014 às 18:29

Concordo. Cheguei a dizer a quem me perguntou porque não o fiz (sim, eu conheço pessoas que perguntam porque faço ou não faço determinada coisa no Facebook) que se "pintasse" o meu perfil de rosa, também teria de pintar de azul e teria de o deixar assim eternamente. Porque a partida da Leonor, que muito lamento, não é mais nem menos do que a partida diária de tantas e tantos "leonores".

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